O mercado da música movimenta bilhões de dólares todos os anos em diferentes formatos de royalties: streaming, execução pública, direitos de sincronização, licenciamento para publicidade, rádio e TV, entre outros. Mas nem todos os estilos musicais são igualmente rentáveis. Alguns gêneros conseguem gerar volumes de royalties muito superiores, seja pela quantidade de ouvintes, pelo alcance global ou pela força de seus artistas.
Vamos analisar aqui quais gêneros musicais mais geram royalties no mundo, o motivo disso acontecer e como investidores e artistas podem se beneficiar desse cenário.
O que são royalties musicais?
Antes de entender quais gêneros mais lucram, é importante lembrar o que são royalties musicais.
Royalties musicais são os valores pagos aos titulares dos direitos de uma obra musical (compositores, intérpretes, editoras e gravadoras) sempre que a música é usada de alguma forma comercial. Isso inclui:
- Streaming: Spotify, Apple Music, Deezer, YouTube Music.
- Execução pública: bares, restaurantes, rádios, shows, eventos.
- Sincronização: uso em filmes, séries, propagandas, games.
- Venda de catálogos: quando artistas vendem seus direitos a investidores.
O gênero musical influencia diretamente o potencial de geração de royalties, pois determina o alcance, o perfil de público e a frequência de execução.
Fatores que determinam quais gêneros musicais geram mais royalties
Não é apenas a popularidade momentânea que define quais gêneros musicais rendem mais dinheiro. Existem diversos fatores envolvidos, como:
- Escala Global – gêneros consumidos em vários países tendem a gerar mais royalties.
- Longevidade das músicas – estilos que possuem canções que continuam tocando por décadas são mais lucrativos.
- Força no streaming – com a ascensão do Spotify e YouTube, gêneros que dominam as playlists geram receitas constantes.
- Capilaridade na execução pública – músicas tocadas em rádios, festas e estabelecimentos comerciais impulsionam arrecadação.
- Oportunidades de sincronização – alguns estilos são mais usados em filmes, séries e comerciais.
Com base nesses fatores, é possível entender por que determinados gêneros dominam o mercado.
Veja também: Quanto custa para registrar uma música na biblioteca nacional?

Os gêneros musicais que mais geram royalties no mundo
1. Pop
O pop é o gênero que mais gera royalties no mundo.
Isso acontece porque ele é global, acessível a todas as idades e domina tanto o streaming quanto a execução pública. Artistas como Taylor Swift, Ed Sheeran e Beyoncé são exemplos de como o pop se mantém no topo da arrecadação.
- Streaming: o pop lidera as principais playlists do Spotify.
- Execução pública: é o estilo mais tocado em festas, academias, lojas e rádios.
- Sincronização: músicas pop são usadas em comerciais e campanhas globais.
Segundo dados da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), o pop representa cerca de 32% do consumo global de música gravada.
2. Hip-Hop / Rap
O hip-hop e o rap cresceram exponencialmente nos últimos 20 anos e hoje rivalizam com o pop em arrecadação.
- Nos EUA, o hip-hop já é o gênero mais consumido em plataformas digitais.
- Artistas como Drake, Kanye West e Travis Scott acumulam bilhões de streams, o que gera um fluxo constante de royalties.
- O rap também é fortemente usado em sincronizações para filmes e games.
Esse crescimento se deve ao poder cultural do hip-hop, que influencia moda, redes sociais e tendências globais.
3. Rock
Apesar de ter perdido espaço nas paradas, o rock continua sendo um dos gêneros que mais geram royalties.
Isso acontece porque:
- Bandas clássicas como The Beatles, Queen, Pink Floyd e Rolling Stones ainda geram milhões com execução pública e vendas de catálogos.
- O rock tem longevidade: músicas lançadas há 30 ou 40 anos continuam tocando em rádios, bares e filmes.
- Investidores veem catálogos de rock como ativos valiosos e estáveis.
Em 2021, o catálogo de Bruce Springsteen foi vendido por mais de 500 milhões de dólares, justamente pelo poder de arrecadação constante do rock.
4. Música Eletrônica (EDM)
A música eletrônica ou EDM se consolidou como um dos gêneros mais lucrativos para DJs e produtores.
- Grandes festivais como Tomorrowland e Ultra Music atraem milhões de fãs.
- DJs como David Guetta e Calvin Harris lideram os rankings de execução pública e streaming.
- Músicas eletrônicas são amplamente usadas em comerciais e conteúdos digitais.
Embora o consumo seja mais nichado que o pop, a EDM tem uma vantagem: alto volume de execução pública em festas, academias e eventos.
5. Música Latina (Reggaeton, Sertanejo, Bachata)
Nos últimos anos, a música latina explodiu no mercado mundial.
- O reggaeton, liderado por artistas como Bad Bunny e J Balvin, conquistou não apenas a América Latina, mas também os EUA e Europa.
- O sertanejo, no Brasil, domina as rádios e plataformas de streaming locais, sendo o gênero mais rentável do país.
- O crescimento do espanhol e português como línguas musicais fortaleceu o setor.
Em 2022, Bad Bunny foi o artista mais ouvido do mundo no Spotify, gerando royalties milionários com suas músicas.
6. Música Clássica e Trilhas Sonoras
Pode parecer surpreendente, mas a música clássica e as trilhas sonoras também geram altos royalties.
- Obras clássicas caem em domínio público, mas as gravações e interpretações continuam rendendo.
- Trilhas sonoras de filmes e séries (Hans Zimmer, John Williams) geram royalties de sincronização muito altos.
- Streaming de playlists para estudo, relaxamento e concentração impulsiona a música instrumental.
Embora não sejam populares em festas, esses estilos têm um público fiel e geram receita estável.
Veja também: Como distribuir suas músicas nas plataformas digitais e receber os royalties?

Comparação de Gêneros em Termos de Royalties
| Gênero Musical | Força no Streaming | Execução Pública | Sincronização | Longevidade | Potencial de Royalties |
|---|---|---|---|---|---|
| Pop | Muito alto | Muito alto | Alto | Médio | Altíssimo |
| Hip-Hop / Rap | Muito alto | Alto | Médio/Alto | Médio | Altíssimo |
| Rock | Médio | Alto | Alto | Muito alto | Muito alto |
| Música Eletrônica | Alto | Muito alto | Médio | Médio | Alto |
| Música Latina | Alto | Muito alto (na América Latina) | Médio | Médio | Muito alto |
| Música Clássica / Trilhas | Médio | Baixo/Médio | Muito alto | Muito alto | Alto |
Tendências futuras nos royalties musicais
- Explosão da música latina – o reggaeton e outros ritmos devem seguir dominando o streaming global.
- Aumento da valorização de catálogos antigos – gêneros como rock e pop clássico continuarão rendendo royalties estáveis.
- Crescimento da música em vídeos curtos – TikTok e Reels impulsionarão gêneros dançantes e urbanos.
- Mais investimentos em catálogos de rap e hip-hop – artistas jovens estão vendendo seus direitos e movimentando o mercado.
- Expansão da música independente – o streaming democratizou a distribuição, permitindo que novos estilos regionais ganhem força.
Como investidores podem lucrar com isso?
Se você deseja investir em royalties musicais, entender quais gêneros são mais lucrativos é essencial. Algumas estratégias:
- Adquirir catálogos de artistas de gêneros estáveis como rock e pop clássico.
- Apostar em músicas com alto potencial de streaming em gêneros como rap e música latina.
- Diversificar entre estilos para reduzir riscos.
- Acompanhar o crescimento do mercado de tokenização musical, que permite investir em frações de royalties de diferentes gêneros.
Os gêneros musicais que mais geram royalties no mundo são o pop, hip-hop, rock, música eletrônica, música latina e trilhas sonoras. Cada um tem características próprias que influenciam sua rentabilidade, mas todos apresentam oportunidades tanto para artistas quanto para investidores.
Enquanto o pop e o rap dominam o streaming, o rock garante estabilidade a longo prazo. A música latina cresce em escala global e a música eletrônica se mantém forte em eventos. Já trilhas sonoras e música clássica mostram que até nichos podem render milhões em royalties.
Para investidores, o segredo está em entender o equilíbrio entre popularidade e longevidade, diversificando entre estilos. Para artistas, a chave é registrar suas obras e explorar diferentes formas de monetização.
Assim, fica claro que a música não é apenas arte, mas também um ativo financeiro poderoso.
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